ARTIGO: Estão querendo quebrar o Estado – ‘Segurança’

Imagem: Reprodução da Internet
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Aqui no Amazonas estamos vivendo uma realidade, no mínimo, insana, nessa relação entre o Estado e as forças sindicais de classe. Aquilo que nasceu para defender os direitos e as condições dignas para o trabalhador exercer sua atividade, nos últimos anos, se transformou em uma verdadeira ação coordenada de extorsão à máquina pública, quando não, um meio fácil e prático de um grupo político “arrochar” o outro que está no poder. A Justiça precisa agir rápido.

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No geral, eles aprenderam que o Estado não funciona sem eles, e ultimamente, estão usando isso da pior forma possível. Não há mais diálogo franco, sensato e análise técnica. Nem mesmo compreensão entre as partes. Resumindo: tá na fase do “ou dá, ou desce”, ou cede o que eu quero ou deixo o pessoal morrendo por ai.

Vejam o exemplo da classe de peritos da Polícia Civil do Amazonas, que trabalham na investigação científica dos crimes. Não faz um ano que eles conquistaram algo impensável neste momento de crise no país: um reajuste de 117% (cento e dezessete por cento) nos salários, o que dobrou seus ganhos. Uma classe que, pasmem, trabalha 24 horas por semana, ou seja, três horas e meia por dia, em média. Mas tudo indica que, para eles, ainda não foi o suficiente, tanto que nesta quinta (18), declararam greve.

Não houve negociação, não há entendimento. Bastou outras categorias conseguirem algo diferente, que correram para colocar o Estado na parede mais uma vez, agora, por mais um reajuste, a chamada data-base.

Volto ao início do artigo e me questiono, existe uma condição não digna salarial que justifique? Não. Eles recebem entre 16 mil e 25 mil reais por mês. Esse salário é sete vezes a média do que um brasileiro comum recebe, segundo IBGE, e eles sabem disso, mas tá na lei. É quase um desejo sangrar o Estado até não ter mais de onde tirar.

Enquanto isso, o serviço da segurança, no geral, continua ruim. Muitas vezes o cidadão não consegue nem registrar B.O. Empurram-no de delegacia em delegacia sem sequer compreender a dor de quem está ali, em muitos casos, vítima de um crime. Laudos da perícia demoram semanas e até meses. O que nos chega é que existem mais de 5.000 laudos atrasados. Casos sem qualquer solução são outros milhares e a população nem resposta de suas denúncias recebe.

Em resumo, pagamos muito bem por um serviço ruim, e eles ainda querem mais. Na iniciativa privada, muitos já estariam sumariamente demitidos e sem espaço no mercado. É evidente que não dá pra generalizar, mas na média, é isso que acontece.

Não há o mínimo de senso público, não se vê luta, por exemplo, para se ter investimentos nas delegacias, na estrutura do instituto de criminalística, que na era do DNA ainda deixa muito a desejar no Amazonas. Ao contrário, a sensação é de que as mazelas da estrutura precisam existir pra justificar a inoperância, mas nunca os salários.

Não se vê interesse público, só há interesse no bolso, na próxima jogada, para tirar ainda mais do Estado. Alguém precisa lembrá-los que essa conta não é paga pelo governador do momento e sim pela sociedade e o velho conceito dos impostos. Sai de nós mesmos.

Acompanhei de perto os aumentos, promoções, reajustes, data-base, escalonamentos e tantas outras conquistas na segurança, e desconheço um Estado (independente de governador) que tenha sido tão generoso com este segmento importante da estrutura estatal.

Está na hora de fazer valer a calça que veste, o sapato que calça e o cargo que ocupa.

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