Rebelião no AM ganha significado político com presos que ‘exigiram’ presença do secretário de Amazonino Mendes

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Manaus-AM I A rebelião na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na zona Leste, – que iniciou exatamente às 6h da manhã deste sábado (2), e terminou por volta do meio-dia, – ganhou conotação política com presos, usando reféns para pedir a presença do secretário de Segurança Pública da última gestão de Amazonino Mendes (2017-2018), coronel Amadeu Soares. Amazonino é pré-candidato a prefeito de Manaus neste ano e Amadeu é aliado político dele. Os detentos “reivindicavam” melhor qualidade de vida no combate ao Coronavírus nas penitenciárias.

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Com queima de colchões dentro das celas, o motim terminou sem feridos e sete reféns foram liberados, após entrada do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM). Na rebelião, um dos reféns foi usado para gravar um vídeo que viralizou na internet, durante a manhã deste sábado. Além de querer falar com o aliado de Amazonino, os detentos, também, “exigiram” a presença da imprensa, do juiz criminal Luiz Carlos Valois e do presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas (OAB-AM), Epitácio Almeida.

“Os internos estão reivindicando direito e querem a presença da imprensa, do Carlos Valois, coronel Amadeu Soares e Epitácio Almeida. Nós estamos bem para poder liberar a gente. Então, por gentileza, nós somos pai de família. Nós temos filhos esperando na nossa casa, eles têm filhos também. Vocês têm que olhar por eles, também, Nessa hora, todo mundo quer viver. Nessa hora, todo mundo tem direito de reivindicar. Então, nos ajude e graças a Deus, estamos bem”, finalizou o refém.

Além de ser secretário de Amazonino, Amadeu, também, teve na gestão do ex-governador, a mulher empregada em um cargo do alto escalão. Paula Kanzler foi titular da Secretaria de Política Fundiária do Estado (SPF) e foi denunciada por usar a pasta para fazer campanha para Amazonino em 2018. A Polícia Federal (PF) investiga áudios dela em conversa com funcionários comissionados vazados à imprensa.

Procurado pela REVISTA CENARIUM na manhã deste sábado, por volta das 11h, Amadeu Soares disse que estava acordando naquele momento e que não tinha informações sobre a rebelião, pedindo um tempo para se inteirar sobre o assunto. Meia hora depois, ele foi procurado novamente, mas não atendeu a ligação da reportagem.

Disputa eleitoral

Derrotado no último pleito eleitoral, em 2018, Amadeu Soares tentou uma das 24 vagas na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) ao lado de Amazonino, que buscava a reeleição, mas perdeu o cargo para Wilson Lima (PSC). De lá para cá, o coronel da PM tem sido um opositor ferrenho ao governo nas suas redes sociais.

No dia 22 de outubro do ano passado, ele acusou o governo de ser “co-padrinho” de organizações ligadas ao crime, durante uma live para os perfis pessoais que ele possui no facebook e no instagram. Na aparição, ele se referia a invasões como o Monte Horebe, na zona Leste de Manaus, que meses depois foi reintegrada pelo governo do Estado, com a ajuda da Polícia Militar.

Projeto suspeito

Ainda no vídeo contra o governo do Amazonas, Amadeu citou como “exemplo” de gestão de Segurança Pública projetos polêmicos do ex-governador Amazonino Mendes, na última administração, como GuardiAM 24 horas, da Giuliani Security, que custou R$ 5 milhões aos cofres públicos e nunca saiu do papel, além de ter sido alvo de investigação do Ministério Público do Estado (MP-AM) por suspeita de superfaturamento.

“A criminalidade está sem freio na cidade de Manaus. Não se percebe nenhum planejamento governamental para se conter isso. Pior! Nós tínhamos um planejamento, o GuardiAM 24 horas, que ia trazer os projetos e o dinheiro para o investimento no Estado. Dinheiro do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)”, disse Amadeu, nas suas redes sociais há menos de sete meses.

Após pressão de órgãos fiscalizadores e de opositores na Assembleia Legislativa, Amazonino foi obrigado a reduzir em 40% o valor do contrato com Giuliani Security, cujas ações nunca se viram aplicadas na prática nem em Manaus nem no interior do Amazonas.

Por: Paula Litaiff e Luiz Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium

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