BR-319: O envolvimento político, econômico, socioambiental e seus reflexos no PIM

BR-319: O envolvimento político, econômico, socioambiental e seus reflexos no PIM

Manaus-AM| Um dos grandes argumentos utilizados pela bancada federal do Amazonas é de que a BR-319, responsável pela conexão entre Manaus (AM) e Porto Velho (RO) por via terrestre, seria uma das esperanças para reduzir os custos de transporte de matéria-prima e produtos desenvolvidos no Polo Industrial de Manaus (PIM). A discussão ainda gera desequilíbrios entre as lideranças nos âmbitos ‘político, econômico e socioambiental’, trazendo impasses como a inviabilização da licença de reconstrução do ‘trecho do meio’ da estrada.

Interesse do Polo Industrial de Manaus

Em 2014, a então superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, já destacava que, durante todo os anos de diálogos sobre o tema, foram criadas condições para que a rodovia fosse transformada em uma estrada parque, o que seria fundamental para agregar mais valor ao que é desenvolvido na Zona Franca. Tal fato levaria a uma perspectiva de um Estado ‘ambientalmente preservado’, o qual produzisse, mas não levasse ao desmatamento.

A ex-senadora Vanessa Grazziotin também foi uma das grandes defensoras do direito de ‘ir e vir’ pela BR-319. Ela também afirma que entende ‘a preocupação dos órgãos de controle e de preservação ambiental com a utilização da via’, mas também já destacou, em seminários sobre o assunto, que a “recuperação da rodovia não levará ao aumento do desmatamento na região, e sim trará o desenvolvimento que precisamos”.

Outros depoimentos no mesmo sentido foram expressados por deputados estaduais do Amazonas e pelo engenheiro Orlando Holanda, que integrou a equipe de desenvolvimento do projeto geral e foi diretor do antigo Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER-AM).

Oposição

A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, já deu declarações polêmicas à imprensa sobre a BR-319, onde questionou sua viabilidade econômica para a região. A candidata já criticou, severamente, diversos políticos do Estado do Amazonas e Rondônia por utilizar a problemática da rodovia como discurso populista, o que torna-se vantajoso nos períodos pré-eleitorais.

Em uma visita à Manaus, em Abril de 2018, Marina disparou que “…um governante não pode dizer coisas sem levar em consideração conhecimentos técnicos porque isso, às vezes, é populismo, é querer ganhar o voto de coisas que depois não se entrega. Tem muita gente que gosta de ganhar voto às custas da BR. É por isso que faz dez anos que saí do ministério e eles continuam fazendo o mesmo discurso”.

Projeções socioambientais

Sobre os conhecimentos técnicos específicos citados por Marina estão alguns estudos formulados pelo ambientalista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Philip Fearnside, que estuda a região há mais de 40 anos.

Em inúmeros artigos, Philip menciona que “o EIA (Estudo de Impactos Ambientais produzido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes-Dnit) não reúne as mínimas condições e informações que permitam avaliar a viabilidade ambiental do empreendimento… mesmo deixando de lado a qualidade técnica do EIA/RIMA, a emissão da licença prévia não pode ser efetivada”.

O ambientalista também critica que, em 2015, “um desvio político foi encontrado para permitir a reabertura da estrada na prática, embora sem permitir a pavimentação. Foi permitido que o órgão ambiental estadual do Amazonas (Ipaam) licencie uma ”manutenção” do trecho central, sem o EIA federal. Este programa de manutenção levou ao restabelecimento do serviço regular de transporte interestadual por ônibus a partir de 2017.

Ele ressalta que a BR-319 tem potencial para causar um enorme impacto ambiental e social. “Nosso grupo de pesquisa no Inpa já publicou mais de uma dúzia de trabalhos sobre estes impactos. Quase toda a discussão da obra, inclusive no EIA não aprovado, tem se limitado à faixa de terra ao longo da rodovia em si, mas o impacto vai muito mais longe, abrangendo praticamente metade do que sobra da floresta amazônica”, explicou.

Philip também explica que, ao conectar Manaus ao “arco de desmatamento”, em Rondônia e sul do Amazonas, atores como grileiros e sem-terra podem migrar para a Amazônia central, continuando a devastação pela rede de estradas já existentes para outras partes do Estado e até para Roraima.

Influências na economia de todo o Estado

O economista Nelson Azevedo acredita que a reconstrução da rodovia será benéfica tanto para o PIM, quando para a economia do Estado em sua totalidade. “O grande segredo é que isso não só vai reduzir custos da nossa produção por conta do timer, de 20 a 25 dias de escoamento. Isso pode ser reduzido para oito dias, indo e vindo direto. Então, isso ocorreria tanto para as nossas mercadorias, quanto as matérias-primas que viriam pra cá por via rodoviária”, explicou.

Outros seguimentos também poderão ser afetados como o turismo, visto que a Amazônia tornou-se um ponto de atenção mundial nos últimos meses. “Eu acredito que vai ter uma movimentação do turismo. A amazônia está muito na pauta porque todo mundo tem ou já teve interesse em conhecer essa região. Tendo a via rodoviária nós vamos ter uma forma de acesso muito boa. No nosso entendimento, da economia, ela é de fundamental importância para a ligação do nosso Estado para com o restante do país”, finalizou.

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